2 de setembro de 2020

 SOL NASCENTE 


Fico amarradão com o nascer do sol

A ponto de vencer a preguiça

Espantar o sono no tapa

E colocar meu corpo na pista

Dessa vez fomos em quatro

Cada qual com seu jeito 

Um tipo de ação 

Pra ajudar no momento, minha meditação

Poesia 

Deus 

Música

e eu 

A poesia é espaçosa 

Apresenta-se de várias formas 

Diria até abusada 

Sem prender-se às normas 

Deus veio daquele jeito

Disfarçado em natureza 

Sem trazer resposta fácil

Sem esconder sua beleza

Perdoem o mal jeito

Com Ele, me entendo sozinho

Não é pra fazer confusão 

É papo reto entre o Pai e seu filho

A música trouxe Jack Johnson

Lenine, Ben Harper também 

Ficou tocando baixinho

feito mantra e digo amém 

E eu?

Eu ali ...

Entorpecido

Maravilhado 

Queixo caído 

Agradecido ...


Paulo Flores

 Amigos da Montanha 


Não tenho fotos a postar

Eis em verso a gratidão 

Levo comigo a parceria

E os amigos no coração 

No retrovisor da vida 

Escrito novo enredo

Vi amigos reunidos

No abrigo de São de São Pedro 

Sobe e desce da montanha

União e harmonia

Em cada marca de minha bota

Ficou vocês em nostalgia


Paulo Flores 

 Chocolate com Pimenta


Ah meu Pai o que faço ?

Escrever um poema 

Bater na porta 

Mandar um retrato? 

Não sei se uso caneta

Apanho um caderno 

Pra fazer no capricho

Até régua e compasso

Diz aí,  o que faço?

Fico todo perdido 

Meio atrapalhado

Meto pé pelas mãos 

Quem vê, acha engraçado 

E então, o que faço? 

Não fica aí rindo 

É só um ajuda 

A processar a mistura 

Preto e o branco

Brisa leve e a tormenta

Praia com a trilha 

Chocolate e Pimenta


Paulo Flores

 MEU TRILHO 


Pelos trilhos que andei 

Éramos 15 locomotivas

Cada qual com sua graça 

E fez-se um time na partida 


Por vezes fiquei pra trás

Até chorei escondido 

Fiz valer as minhas preces 

Era saudade do meu filho 


Reflexo dos novos tempos

Doente em pandemia 

Um Salve a quem puxa a trip

E reestabelece a alegria 


Teve chuva, teve frio 

Fogueira , prosa também 

Foi bonito o ranger dos trilhos 

E ver deslizar o trem 


Perdi a conta dos túneis 

Cenários , vistas bonitas 

A vedete - viaduto vazado

Concreto, com ferro e brita


Venha breve nova viagem

Emoção, riso, piada

Aguardo todos vocês 

Sentado na próxima parada 


Paulo Flores 

 A QUATRO MÃOS 


Praia que inspira o verso

Instiga à fotografia 

Poeta puxa caneta 

E click retrata a vida 


Poeta é homem do avesso

Capta a luz, dá poesia

Ah homem que eu careço

Tem olhos no peito, pele arrepia 


Dos olhos se fez um convite

Sem som, ou qualquer coisa dita 

Mãos dadas em rumo ao costão 

Reduto de paz e harmonia 


A praia é alguém que observa 

amantes, poetas benditos

Quem sabe o que ela reserva

A dois seres e um verso escrito?


Universo ao qual se confia

Senhor de todos caminhos 

Protegei dois livres poetas 

Encontrando-se em novo destino

 OPA 


Se minha pele falasse 

E o mau estancasse 

Bastaria um "aí"

E que o vento levasse  

Sociedade passiva 

Que pouco escuta 

Ainda hoje da voz 

A muito filho da puta 

Foi mal o palavrão 

Desculpe o mal jeito

Mas a raiva eclode 

Quando se implora respeito

Ao falar de racismo 

Há quem negue esse mal

Enfrentei o sinismo

E a cara de pau 

Sorriso amarelo 

Tapinha nas costas

Safadeza ae esgueira

Em meio à piada 

Até quando Senhor?

Se me tens solução...

Estás vendo o sangue ?

E um preto no chão ? 


Paulo Flores

20 de julho de 2020

DROPAR

Arrebatadora 

A parada tem que ser assim

Arrebatadora, maluco 

Chegar e páh! 

Impactar! 

Sem meio termo 

Sem nada morno 

Sem pedir tempo 

Sem pedir pouco 

Tem que ser tudo 

Intenso 

Barulho 

Esporro ...

E páh ! 


Paulo Flores 

  GAVETAS  Das gavetas da vida  Algumas não abro mais  Outras até remexo  há as que esqueço  Em cada arrumação  Recordação e muita história ...